Hello, Bonjour!
Fim do ano chegando
e todo mundo reflete sobre as realizações e frustrações de 2016. Então hoje o
post é “profundo”, bem pessoal e por isso, polêmico. Alguns irão concordar,
outros discordar, mas o importante é se questionar... rsrs.
Quando falamos que
viríamos pro Canadá, a pergunta de sempre era: Por quê? E logo em seguida
vinham os argumentos, positivos ou negativos. Ouvimos que estávamos certos, que
podíamos porque ainda éramos jovens e sem filhos e até que éramos loucos, de
tudo um pouco. Se a decisão não tivesse muito bem tomada, seria difícil não hesitar.
Mas então porque viemos pro Canadá, e mais especificamente para Ottawa?
Quando fizemos nossa
primeira viagem internacional, em 2014 para Orlando - Disney, achávamos que
iríamos gostar muito, nos impressionar com um país desenvolvido e tudo mais. É
claro que Orlando é quase um país a parte, a cidade totalmente turística, com
tudo muito organizado e atendimento caprichado pra garantir o clima de “mundo
mágico”, mas a sensação foi melhor do que a esperada: a melhor viagem das
nossas vidas! Ficamos uns 15 dias e nem sentimos saudade de casa, pelo
contrário nos sentimos identificados com um lugar pela primeira vez.
Voltamos e já no
aeroporto em SP tomamos aquele choque de realidade: as férias acabaram, o mundo
mágico ficou pra trás, volta pra casa! Sentimos muito a falta de segurança,
falta de educação e de respeito das pessoas e ficamos mal. Não nos sentíamos
totalmente felizes com o país que morávamos antes da viagem, mas não tínhamos
padrão de comparação, depois então nos sentimos estranhos no ninho no nosso
próprio país.
No mesmo dia que chegamos,
mandei uma mensagem pros nossos amigos que já moravam aqui no Canadá: “Não dá mais
pra morar no Brasil! O que podemos fazer?”. Foi uma expressão e reação
exagerada, quase desesperada, mas a resposta foi a mais sensata possível: Venham
nos visitar e conhecer o Canadá! Assim, mal chegamos e já planejávamos nossas
próximas férias pra conhecer a cidade tão falada por eles.
Como a viagem seria somente
pra dali um ano, com o tempo a síndrome do regresso foi passando, fomos nos
reacostumando com a nossa rotina e vida brasileira, esquecendo as coisas boas
que vimos fora, e pensando na viagem apenas como mais um passeio, mas mesmo
assim muito animados pra ela. Nesse meio tempo já fizemos novos planos,
começamos uma nova faculdade, tudo isso pensando na nossa vida no Brasil, não
passava mais pela cabeça sair do país.
Marcamos as férias,
fizemos toda a documentação e em Junho de 2015 partimos pra mais uma viagem.
Conhecemos Toronto/Niágara, Quebec City, Montreal e Ottawa, sendo somente nessa
última ficando na casa dos amigos. Não sei se é porque já tínhamos tido a
primeira experiência internacional, mas dessa vez chegamos e foi bem natural,
nenhum espanto com “as coisas boas do 1º mundo”.
Em Toronto passeamos
muito, gostamos muito da cidade (apesar do trânsito), conhecemos Niágara Falls,
mas ainda continuamos no clima “são só férias”. Passamos por Ottawa, onde fomos
recepcionados e apresentados à cidade por apaixonados por ela, e talvez isso
tenha feito a diferença. Ottawa pareceu a cidade mais acolhedora e simpática já
vista. Mesmo assim me lembro da primeira conversa: de que nossa vida no Brasil
era boa, que podíamos continuar trabalhando e viajar bastante todo ano e blá
blá blá. Eu realmente pensava e acreditava que seria feliz daquela forma.
De Ottawa, fomos pra
Quebec, que é linda, mas bem pequena e nem um pouco acolhedora aos falantes de
Inglês. Achamos tudo muito bonito, mas em 2 dias já queríamos partir pra
próxima cidade. Depois fomos pra Montreal, onde também não curtimos muito,
talvez porque ouvimos muitas coisas boas e a expectativa era bem alta.
Voltamos à Ottawa
pra fechar a viagem e depois de conhecer cidades que não gostamos tanto, ela
pareceu ainda mais perfeita. Passeamos mais uns dias, curtimos o Canada Day,
conhecemos a Universidade (e o Junior pirou com os laboratórios e toda a
estrutura), até que chegou o dia de ir embora, e o coração apertou: não queríamos
voltar, não queríamos sair dali, tínhamos encontrado nosso lugar. Com lágrimas
nos despedimos e voltamos pro Brasil. Não sentimos síndrome do regresso dessa
vez, talvez porque já sentimos quão triste seria voltar antes mesmo da volta, e
porque tínhamos na cabeça um sonho e plano de um dia morar no Canadá.
Pesquisei muito, li
muito, contamos com ajuda dos amigos e até de desconhecidos, mas parecia bem difícil
e arriscado, um plano pra dali muitos anos (pensávamos em no mínimo 2017 ou
mais), ainda mais porque já tínhamos uma condição relativamente boa no Brasil,
não podíamos jogar tudo pro alto por qualquer coisa. Foi então que o pensamento
positivo e a vontade fizeram diferença, e as coisas foram dando certo muito
rápido: o Junior encontrou um excelente professor para orientá-lo, teve a
chance de estudar na Universidade de Ottawa e pudemos realizar o sonho, que
antes estava tão distante, apenas 1 ano após nossa paixão à primeira vista.
Apesar das
dificuldades de recomeçar toda a vida, desde carreira até vida pessoal, e da
distância da família e amigos, estamos muito felizes aqui, e todas as vezes que
uma incerteza passa pela cabeça, saímos na rua pra lembrar as razões do nosso
amor pela cidade. Acho que isso torna tudo mais fácil, mas faz com que toda
essa nossa experiência seja muito pessoal. O que nos fortalece e nos dá
certeza, poderia deprimir outros. Nossa vontade de recomeçar uma carreira seria
inaceitável pra alguém que realmente ama o que faz. Cada um sabe “aonde o calo
aperta” e onde se sente em casa, e seja por opção ou por falta dela, seu livre
arbítrio para escolher e as consequências das suas escolhas são só suas, só
temos que respeitar.
Um dia ainda conto
mais sobre as impressões de morar aqui (porque passear é uma coisa, morar é
outra) e das dificuldades de zerar a vida, pra não dizerem que só conto flores.
Mas mais vez convido aos amigos que venham visitar a Capital do Canadá, e
talvez se apaixonar também. Essa cidade pouco conhecida até pelos canadenses de
outras províncias tem muito a mostrar, e um dos motivos que escrevo esse blog é
pra declarar e conquistar novos amantes dessa cidade que pra nós é maravilhosa.


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