segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

#19 – DIRIGINDO NO CANADÁ!

Hello, Bonjour!

Hoje vou contar a minha saga pra fazer a carteira de motorista canadense. Vou contar a minha experiência, tentando resumir e sem tantos detalhes técnicos porque pode ser que as regras mudem: se você for fazer e quiser ter certeza, consulte o site oficial (não me responsabilizo por equívocos baseados nesse post, rsrsrs).

Como ficaremos por aqui pelo menos 2 anos, mesmo não tendo carro (ainda), tive que correr atrás disso porque só pudemos dirigir por 90 dias após nossa chegada (então quem vem como turista, só pra passar alguns dias, não tem essa preocupação). Decidimos que por enquanto somente um de nós faria o documento (porque é caro e trabalhoso). Como o Junior tem cartão de ônibus de estudante e moramos relativamente perto da Universidade, decidimos que eu faria primeiro, porque talvez fosse trabalhar mais longe ou precisasse da habilitação pra trabalhar mesmo. Além disso, tive mais tempo (e disciplina) pra estudar e me preparar para as provas.

Pra começar, é necessário fazer uma prova teórica (a chamada G1), que é feita no centro de direção (tipo um Detran), sem agendar nem nada. Você chega, entrega os documentos e preenche os formulários, paga a taxa e vai pra uma sala fazer a prova num computador. No caso de motoristas com experiência, basta entregar a “tradução” da CNH (que é feita na Embaixada) pra que eles incluam essa informação.

Pra aprender as regras canadenses há um livrinho com algumas informações e testes simulados, além de testes online, e foi por eles que me preparei pra prova. Achei bem chato, muito detalhe bobo, mas depois de fazer vários testes e “decorar” as respostas, fui pra prova. Não tive muita sorte, algumas questões que caíram eu não tinha visto nenhuma vez nos simulados nem nas informações do livro, mas consegui passar de primeira (Ufa!). Vi algumas pessoas reprovando, e repetindo a prova, então, se for fazer se prepare de verdade. Parece bobinho, mas pode ser uma pegadinha!

Já me entregaram um documento provisório na hora (o oficial veio pelo correio umas 2 semanas depois) e se quisesse, já poderia marcar a prova prática. Com essa G1, eu podia dirigir com um instrutor ou com outra pessoa com experiência: bem coisa de filme, em que o adolescente faz a prova teórica e sai com o pai pra aprender a dirigir no carro da família mesmo. Outra coisa curiosa (e de filme) é que você pode fazer a prova prática em qualquer carro: próprio, alugado, emprestado. Não é obrigatório fazer aulas em autoescola, nem fazer a prova no carro de um instrutor.

Como levei as informações da minha CNH brasileira, pude fazer a prova prática pra G – Full, sem ter que fazer a G2 (que é uma permissão pra dirigir por um tempo, com algumas restrições e é preciso fazer uma segunda prova prática depois pra ter a permissão definitiva). A pressão nesse caso é que se você reprovar na G, só pode repetir a prova prática para G2 e perde todo seu histórico de experiência (que diminui bastante o valor do seguro do carro). Pra não perder essa chance, fiz algumas aulas com um instrutor canadense pra pegar os macetes pra prova. E é bem isso mesmo, pegar o jeito pra prova, porque afinal já dirigia no Brasil a anos, mas tem umas coisas que eles avaliam que é bem específico: tem que andar exatamente no limite de velocidade da via, não pode entrar na rodovia muito devagar, não pode fazer curva muito rápido, tem que olhar sobre os ombros pra trás  pra virar(não pode ser pelo retrovisor):o famoso “shoulder check”, pra garantir que não tem nenhum carro/pedestre/ciclista no seu ponto cego.

Pra ficar ainda mais emocionante, demorei pra agendar e só tinha vaga pro final de novembro e podia começar a nevar: e claro, previsão da primeira nevasca bem no dia da prova! Meu instrutor pediu pra eu cancelar, porque pior que dirigir na neve pela primeira vez, seria fazer uma prova nela sem nunca ter treinado nessa situação. Fiquei bem chateada, me sentindo culpada por não ter feito antes, preocupada porque o inverno só iria piorar, mas ele me acalmou e combinamos uma aula pra um dia de neve! Fiz a aula na neve, derrapei com o carro (de propósito) pra sentir como era, aprendi o que mudava na direção e remarquei a prova pra dezembro.

Dirigindo feito um robô canadense fui pra prova, e na hora que entrei no carro parece que o tempo parou: o clima estava ótimo (sem neve), as ruas e a rodovia estavam vazias, e os 15-20 min de prova passaram feito 5 min. O examinador ia falando e eu, que já tinha treinado no percurso da prova (que também foi outra dica importante do instrutor), ia fazendo tudo conforme “ensaiado” e ele anotando coisas na prancheta. Quando estacionei de volta no centro de direção e ele falou: _”Congratulations!”, um elefante saiu das minhas costas.  

De novo, já sai de lá com o documento provisório em mãos (só não dirigindo porque me falta o carro...rsrs) e umas 2 semanas depois recebi minha Carteira de Motorista “Expert” Canadense.



O primeiro passo foi dado, com dificuldade mas com sucesso! Planejamos alugar carro de vez em quando e quem sabe, mais tarde comprar um. Se tudo continuar bem, não vai demorar muito!!!

Até a próxima!

domingo, 15 de janeiro de 2017

#18 – ANO NOVO, VIDA NOVA?!

Hello, Bonjour!

Passado Natal e Virada de Ano, esperamos que esse ano de 2017 seja ainda melhor pra todos nós! Mas porque é sempre assim, né? Apenas uma virada, uma data que não passa de uma convenção social e jogamos todas nossas esperanças num dia 01, que nada mais é que mais um dia como os outros...

Voltando para o Natal, como já falei no último post, passamos a ceia de Natal com amigos brasileiros e foi bem divertido. O pessoal usou trajes típicos/engraçados (aquele suéter brega de Natal que a gente vê em filme, sabe?), teve amigo secreto, jogo de imagem e ação, e claro, muita bebida e comida. Pra ajudar a superar a ausência da família, cada um fez um prato típico da sua ceia, fazendo com que cada um se sentisse um pouquinho em casa. Apesar de ter amanhecido nevando, durante o dia esquentou (chegou a ficar em temperaturas positivas) então a noite só tinha a neve acumulada mesmo, nada de neve caindo, mas pro primeiro Natal aqui já ficamos bem satisfeitos. À meia-noite do Brasil (21h aqui) todos ligaram pra família no Brasil, menos eu, porque meu “povo” gosta de se esconder no meio do mato e nem sinal de celular tinha direito. Aproveitei que tava de bobeira e filmei o pessoal com os celulares... Santa tecnologia que faz tudo ficar mais fácil !!!
No dia 25 dormimos muito, comemos as “sobras” das ceia e foi isso: dia de ressaca da festança.


Dia 26 é o Boxing Day, que oficialmente é a data de promoções do comércio canadense, mas nos últimos anos tem perdido força porque o Canadá também aderiu à BlackFriday, que acontece em Novembro, então não vimos muuuuuuita loucura nas lojas, não. Realmente preços de eletrônicos e vários itens estavam em promoção, mas as lojas estavam com movimento normal. Ah, detalhe, esse dia é “feriado”, então todos estão de folga pra aproveitar as promoções e ir às compras. Não compramos nada (já gastamos e compramos mais que o suficiente pra montar a casa nova nos últimos meses), mas passeamos, fomos ao cinema e conhecemos a primeira “Freezing Rain” (“Chuva Congelante”) de verdade. Vou contar sobre o clima e como ta sendo o inverno num outro post, tem muita curiosidade que merece de mais espaço.
Outro detalhe interessante é que no Canadá quando um feriado cai no Domingo, eles dão o dia de folga pros funcionários no próximo dia útil, ou seja, foi folga na terça-feira (dia 27 pra compensar o dia 25) e na segunda-feira depois do ano novo (dia 02 pra compensar o dia 01) também!

Já a véspera de Ano Novo não é tão aguardada por aqui, eles até comemoram mas sem comparação à qualquer festa brasileira. Talvez porque por ser um país multi-cultural, cada cultura comemore o Ano Novo de um jeito e até em datas iferentes, então, a festa fica “dissipada”. Nessa virada pela primeira vez aconteceu uma festa especial em Ottawa, porque em 2017 o Canadá completa 150 anos e o ano todo será repleto de eventos especiais, começando realmente desde o início. O tempo não ajudou muito, nevou o dia todo e a temperatura média foi de -10°C, mas mesmo assim fomos ao Parlamento assistir e curtir as comemorações. Pegamos o ônibus (que era de graça especialmente pro evento) e chegando na região o trânsito já estava fechado, policiamento reforçado, blocos de concreto para evitar quebra dos bloqueios (infelizmente o terrorismo é uma ameaça mundial) e enormes tratores para limpeza da neve que teimou cair até quase a meia-noite.



Passamos pela revista rigorosa e entramos na área do Parlamento, e apesar do frio, já tinha muita gente e até famílias com bebês. Após várias cerimônias oficiais às 20h17 pontualmente houve a primeira queima de fogos que durou 20 min, mas para o padrão Brasil, não emocionou. A bateria é muita espaçada, os fogos estouravam muito baixo e quem estava bem na frente do prédio do Parlamento só via uns resquícios além da música não ter nada a ver com nada (na filmagem pra TV ficava maravilhoso e quem estava no lado de Gatineau teve, como de costume, vista privilegiada). Acredito que por causa do frio, a animação tornou-se obrigatória e a maioria começou a dançar pra se manter aquecido...rs.







Depois dos fogos começaram os shows e nós estávamos aguardando a apresentação da cantora Carly Rae Jepsen, famosa pela música “Call me maybe”. Pelo cronograma seria logo após a queima de fogos, mas acredito que por ser o show mais popular, deixaram para o fim, e foi impossível ficar lá das 21h ás 24h, em pé, com neve na cabeça, à -10°C. Desistimos! Ficar lá encarando a neve, e vendo cantores que para nós são desconhecidos só pra ver uma música famosa lá pelas 23h30 não nos convenceu... afinal, mais do que a música e a cantora, curtimos mesmo é o clipe paródia da paródia feito pelos soldados americanos em missão no Afeganistão... (pra quem não conhece, ri um pouco aí)...rs


Fomos pra casa a pé (ainda bem que moramos perto) porque o trânsito estava uma loucura por causa da neve e os ônibus não passavam (talvez pelo trânsito e o clima, ou talvez a frota estivesse esperando a festa terminar pra recolher todo o pessoal de uma vez, sei lá). Chegamos em casa pra virada com a “família”: eu, Junior e nossos bebês peludos! E assim foram as nossas festas!

Não vou dizer que não sentimos a falta da família e do Brasil, mas percebemos que essas festas são só desculpas pra reunir todo mundo e comer muito. É muito bom, mas melhor é poder aproveitar sempre atividades como estas, verdadeiramente, seja quando for, porque uma data específica não faz grande diferença. Que nossas esperanças possam ser renovadas sempre que quisermos ou sonharmos algo novo, todo dia é um novo dia e uma nova chance!

Aproveito esse post pra desejar BOA SORTE pros primos queridos Layara e Fernando que partem hoje em busca de sonhos em Buenos Aires! Vida nova, lugar novo, língua nova, num ano novo que pra eles vai começar no meio do mês!

Nosso 2016 foi maluco, cheio de reviravoltas, e 1 ano passou rápido como um mês, mas valendo por uns 3 anos em acontecimentos: aprendizados, desafios, alegrias e tristezas. Nossos votos pra 2017 é que mesmo longe, possamos estar cada dia mais ligados às nossas famílias e amigos, e que todos os sacrifícios valham a pena! Tem valido muuuuuito!!!

domingo, 25 de dezembro de 2016

#17 – ENTÃO É NATAL!!!

Hello, Bonjour! 
Merry Christmas!!! Feliz Natal pra todos!

Esse ano passamos o nosso primeiro Natal canadense… que de canadense só teve o local, porque foi todo brasileiro com amigos e tradições nossas mesmo (só alguns detalhes daqui)! Rsrs... Primeiro Natal longe da família e na neve!

Falando da cidade, as festas de fim de ano são bem comemoradas aqui também e em Novembro já começaram os eventos especiais. Um dos primeiros foi um desfile de Natal organizado pelos Bombeiros e patrocinado por empresas, onde vários veículos oficiais e “carros alegóricos” desfilavam enquanto voluntários e os próprios bombeiros distribuíam doces e arrecadavam doações. O desfile durou cerca de 1h, foi bem divertido, principalmente pra criançada. Claro que pra fechar, o “trenó” com o Papai Noel !!!


Uma tradição dos países do Norte são as árvores de Natal de verdade, e por aqui até as “gigantes” (de shoppings e empresas, por exemplo) são reais e um evento muito interessante foi o acendimento das luzes da árvore enorme da Galeria Nacional de Arte! A Galeria ficou lotada, houve a apresentação de um grupo de violinistas, distribuição de chocolate quente e, além disso, a Galeria ficou aberta para visitação gratuita! Já conhecíamos a Galeria, então focamos mais no evento e só demos uma voltinha nas áreas de exposições rotativas pra ver o que havia de novo. O mais legal desse dia foi a neve que caiu: a Galeria é toda de vidro e ver a neve caindo lá fora deu a sensação exata de um globo de neve, só que ao contrário...rsrs.




Saindo de lá passamos pelo ByWard Market, que é uma região de lojas e restaurantes da cidade, e nos deparamos com a venda das árvores de Natal... Posso falar de novo que me senti num filme? Sei que parece chato e talvez até arrogante, mas não me entendam mal, é que todo dia é uma referência cinematográfica nova mesmo.

 

A prefeitura também caprichou na decoração e fez um evento especial com Papai Noel e tudo mais, mas foi num dia em que não pudemos ir. Passamos por lá depois e mesmo com a prefeitura fechada, pudemos ver a decoração interna e para o clima ficar mais especial colocaram um piano no saguão. Acho que era um piano muito bom, porque sempre tinha alguém tocando e o som era maravilhoso (quando entramos achamos até que era uma música em caixas de som). Ficamos naquele clima de conto de fadas por um tempo e aproveitamos muito a música (e o aquecimento...rs).




Um dos eventos mais famosos nessa época de Natal são as “Luzes do Parlamento”. Esse evento acontece numa versão em Setembro e em Dezembro com o tema natalino, e com o toque especial da neve fica ainda mais bonito. Dessa vez, além das luzes projetadas no prédio do Parlamento, havia uma exposição de prismas iluminados e interativos. Passeamos por lá, vimos o show de luzes e aproveitamos dar uma volta pelas ruas/praças/parques iluminados, e é encantador, quase hipnotizador. Descemos ver as comportas do canal, que agora está congelado e ficamos fascinados com tudo branco, até o rio, que divide Ottawa de Gatineau. Lindo, calmo, silencioso, sensação de paz!









Tem muitas outras atrações de Natal na cidade, mas não dá tempo de ver tudo, então, priorizamos os locais mais perto de casa. Tem ainda vilas completamente decoradas e com atrações especiais como Papai Noel e corais, tem as casas que os moradores decoram (assim como no Halloween), e ainda tem os shoppings. O Shopping Rideau que fica no centro não nos surpreendeu muito, pelo contrário, qualquer shopping do Brasil ganha na decoração de Natal. Passamos por lá e só gostamos de ver as crianças tirando as fotos com o Papai Noel, com fotógrafo profissional e foto impressa na hora (eles adoram levar as crianças todas empetecadas e fazer os famosos cartões de Natal pra família com as fotos!!!).



Bom, sobre a noite e dia de Natal ainda não consigo contar em detalhes, porque estamos passando por eles ainda! Rs... Volto logo mais talvez contando como terminou nosso Natal, sobre o Boxing Day e Ano novo!!! Tanta coisa que não cabe num post só!!! Vejo vocês no ano que vem!!! Happy New Year!!!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

#16 - POR QUÊ ???

Hello, Bonjour!

Fim do ano chegando e todo mundo reflete sobre as realizações e frustrações de 2016. Então hoje o post é “profundo”, bem pessoal e por isso, polêmico. Alguns irão concordar, outros discordar, mas o importante é se questionar... rsrs.
Quando falamos que viríamos pro Canadá, a pergunta de sempre era: Por quê? E logo em seguida vinham os argumentos, positivos ou negativos. Ouvimos que estávamos certos, que podíamos porque ainda éramos jovens e sem filhos e até que éramos loucos, de tudo um pouco. Se a decisão não tivesse muito bem tomada, seria difícil não hesitar. Mas então porque viemos pro Canadá, e mais especificamente para Ottawa?

Quando fizemos nossa primeira viagem internacional, em 2014 para Orlando - Disney, achávamos que iríamos gostar muito, nos impressionar com um país desenvolvido e tudo mais. É claro que Orlando é quase um país a parte, a cidade totalmente turística, com tudo muito organizado e atendimento caprichado pra garantir o clima de “mundo mágico”, mas a sensação foi melhor do que a esperada: a melhor viagem das nossas vidas! Ficamos uns 15 dias e nem sentimos saudade de casa, pelo contrário nos sentimos identificados com um lugar pela primeira vez.


Voltamos e já no aeroporto em SP tomamos aquele choque de realidade: as férias acabaram, o mundo mágico ficou pra trás, volta pra casa! Sentimos muito a falta de segurança, falta de educação e de respeito das pessoas e ficamos mal. Não nos sentíamos totalmente felizes com o país que morávamos antes da viagem, mas não tínhamos padrão de comparação, depois então nos sentimos estranhos no ninho no nosso próprio país.

No mesmo dia que chegamos, mandei uma mensagem pros nossos amigos que já moravam aqui no Canadá: “Não dá mais pra morar no Brasil! O que podemos fazer?”. Foi uma expressão e reação exagerada, quase desesperada, mas a resposta foi a mais sensata possível: Venham nos visitar e conhecer o Canadá! Assim, mal chegamos e já planejávamos nossas próximas férias pra conhecer a cidade tão falada por eles.

Como a viagem seria somente pra dali um ano, com o tempo a síndrome do regresso foi passando, fomos nos reacostumando com a nossa rotina e vida brasileira, esquecendo as coisas boas que vimos fora, e pensando na viagem apenas como mais um passeio, mas mesmo assim muito animados pra ela. Nesse meio tempo já fizemos novos planos, começamos uma nova faculdade, tudo isso pensando na nossa vida no Brasil, não passava mais pela cabeça sair do país.

Marcamos as férias, fizemos toda a documentação e em Junho de 2015 partimos pra mais uma viagem. Conhecemos Toronto/Niágara, Quebec City, Montreal e Ottawa, sendo somente nessa última ficando na casa dos amigos. Não sei se é porque já tínhamos tido a primeira experiência internacional, mas dessa vez chegamos e foi bem natural, nenhum espanto com “as coisas boas do 1º mundo”.

Em Toronto passeamos muito, gostamos muito da cidade (apesar do trânsito), conhecemos Niágara Falls, mas ainda continuamos no clima “são só férias”. Passamos por Ottawa, onde fomos recepcionados e apresentados à cidade por apaixonados por ela, e talvez isso tenha feito a diferença. Ottawa pareceu a cidade mais acolhedora e simpática já vista. Mesmo assim me lembro da primeira conversa: de que nossa vida no Brasil era boa, que podíamos continuar trabalhando e viajar bastante todo ano e blá blá blá. Eu realmente pensava e acreditava que seria feliz daquela forma.



De Ottawa, fomos pra Quebec, que é linda, mas bem pequena e nem um pouco acolhedora aos falantes de Inglês. Achamos tudo muito bonito, mas em 2 dias já queríamos partir pra próxima cidade. Depois fomos pra Montreal, onde também não curtimos muito, talvez porque ouvimos muitas coisas boas e a expectativa era bem alta.



Voltamos à Ottawa pra fechar a viagem e depois de conhecer cidades que não gostamos tanto, ela pareceu ainda mais perfeita. Passeamos mais uns dias, curtimos o Canada Day, conhecemos a Universidade (e o Junior pirou com os laboratórios e toda a estrutura), até que chegou o dia de ir embora, e o coração apertou: não queríamos voltar, não queríamos sair dali, tínhamos encontrado nosso lugar. Com lágrimas nos despedimos e voltamos pro Brasil. Não sentimos síndrome do regresso dessa vez, talvez porque já sentimos quão triste seria voltar antes mesmo da volta, e porque tínhamos na cabeça um sonho e plano de um dia morar no Canadá.



Pesquisei muito, li muito, contamos com ajuda dos amigos e até de desconhecidos, mas parecia bem difícil e arriscado, um plano pra dali muitos anos (pensávamos em no mínimo 2017 ou mais), ainda mais porque já tínhamos uma condição relativamente boa no Brasil, não podíamos jogar tudo pro alto por qualquer coisa. Foi então que o pensamento positivo e a vontade fizeram diferença, e as coisas foram dando certo muito rápido: o Junior encontrou um excelente professor para orientá-lo, teve a chance de estudar na Universidade de Ottawa e pudemos realizar o sonho, que antes estava tão distante, apenas 1 ano após nossa paixão à primeira vista.
Apesar das dificuldades de recomeçar toda a vida, desde carreira até vida pessoal, e da distância da família e amigos, estamos muito felizes aqui, e todas as vezes que uma incerteza passa pela cabeça, saímos na rua pra lembrar as razões do nosso amor pela cidade. Acho que isso torna tudo mais fácil, mas faz com que toda essa nossa experiência seja muito pessoal. O que nos fortalece e nos dá certeza, poderia deprimir outros. Nossa vontade de recomeçar uma carreira seria inaceitável pra alguém que realmente ama o que faz. Cada um sabe “aonde o calo aperta” e onde se sente em casa, e seja por opção ou por falta dela, seu livre arbítrio para escolher e as consequências das suas escolhas são só suas, só temos que respeitar.
Um dia ainda conto mais sobre as impressões de morar aqui (porque passear é uma coisa, morar é outra) e das dificuldades de zerar a vida, pra não dizerem que só conto flores. Mas mais vez convido aos amigos que venham visitar a Capital do Canadá, e talvez se apaixonar também. Essa cidade pouco conhecida até pelos canadenses de outras províncias tem muito a mostrar, e um dos motivos que escrevo esse blog é pra declarar e conquistar novos amantes dessa cidade que pra nós é maravilhosa.

 


domingo, 4 de dezembro de 2016

#15 – VOCÊ QUER BRINCAR NA NEVEEEEEE?

Hello, Bonjour!

Mesmo faltando quase um mês pro Inverno de fato, a neve chegou e deixou a cidade com cara de Natal!

Final de outubro tivemos a primeira neve do ano e das nossas vidas, mas aquela foi apenas uma amostra. A temperatura ficou entre de 0°C e -1°C, então a neve caia e derretia, ficou só um pouquinho branco, quase igual uma geada. Mas pros novatos aqui já foi uma festa: ligamos pra família, tiramos foto e filmamos, com a maior cara de bobos felizes.




Até que fim de semana retrasado a previsão alertou pra primeira neve de verdade, e já ficamos empolgados. Começou nevar ainda de manhã e a tarde ela estava lá: linda, branca, sobre as casas, árvores e gramados. Fomos ao parque e a emoção tomou conta, parecia outra cidade.









A temperatura ainda não abaixou tanto (mínimas de -3°C mais ou menos), o que faz com que os passeios sejam ainda mais legais (quero nem imaginar como vai ser com -30°C, -40°C, melhor aproveitar agora).

Pra quem não conhece a neve, a sensação é diferente de qualquer outra coisa. Podemos tentar comparar com areia fina, porque escorrega o pé, é levinha e “canta” quando você anda, mas a beleza de ver a cidade tomada de branco não tem comparação.
Depois de alguns dias de neve, ainda estamos fascinados (e claro, sendo zoados pelos canadenses), mas só quem veio de um país tropical sabe o quão diferente isso é pra gente. A impressão que eu tenho é que vamos nos encantar pra sempre, nos empolgar e nos jogar na neve todo inverno, porque não tivemos oportunidade de fazer isso quando criança...rsrs.

Ouço todos os dias: “Calma, você vai cansar! Vai ver quando tiver -30°C! Vai ver quando chegar Fevereiro e ainda estiver nevando e blá blá blá”. Ah, deixa a gente com a nossa empolgação em paz, afinal, a gringaiada não fica fascinada com as nossas praias também!?
Temos tentado aprender todas as técnicas, testando as roupas, botas, pisando em tudo quanto é gelo, saindo pra caminhadas... rsrsrs. O inverno ainda nem começou e já promete ser longo.







Antes que alguém que esteja lendo pense: Nossa, mas você tá falando que não tá muito frio, mas -3°C é muuuuuuuuuuuito frio!... Sim, é frio, mas aqui tem estrutura pra lidar com isso. Em todos os lugares há aquecimento, as roupas são próprias pra essas temperaturas, as ruas e calçadas são limpas (na medida do possível). Enquanto tá nevando lá fora, eu to aqui dentro de casa de short e camiseta olhando pela janela.



Com certeza já passei muito mais frio em noites aí no Brasil, do que andando pelo parque por aqui nesses dias. Tá duvidando? Vem conferir! E não tenha medo, mesmo para os mais friorentos, a beleza compensa! E é permitido voltar a ser criança, rolar, fazer guerra de bola de neve e boneco!



domingo, 27 de novembro de 2016

#14 - MAIS CURIOSIDADES...

Hello, Bonjour!
Hoje venho com mais curiosidades sobre a nossa linda Ottawa. Estamos tentando mesmo sem carro e grana pra esbanjar, passear ao máximo, conhecer tudo, ir aos lugares mais variados. Em alguns desses passeios, ou até indo a compromissos mesmo, nos deparamos com diversos fatos interessantes. Aí vão mais alguns:

Tem churros no Canadá?
Sim, e com recheio de doce de leite. Este nós encontramos num evento que aconteceu em frente à prefeitura e vários Food Trucks participaram, entre eles o Mr. Churritos. Tivemos que provar e comparar, e o sabor é igual ao que estamos acostumados no Brasil mesmo. O de doce de leite é idêntico, só o de chocolate que não gostei muito não, achei o chocolate muito artificial, talvez hidrogenado, sei lá. O que achei mais engraçado é que o churros não é feito naquela máquina como vemos por aí, ele é só um rolinho de massa que é frito e só depois fazem um furo pra rechear: tá na hora de patentear a máquina de churros brasuca e exportar, muito mais prática e o recheio fica por igual! Quem estiver por aqui e quiser experimentar, o Mr. Churritos fica normalmente na esquina entre as ruas Elgin e Slater, além de participar de eventos de vez em quando. Mais informações: http://mrchurritos.com/



Macieira no meio da cidade
Que Outono é a estação da colheita todos sabemos, mas que é possível colher maçãs em plena rua, aí já nos pegou de surpresa. Passeando por uma rua enquanto aguardava o horário de um compromisso, vi essa macieira carregada. Não peguei nenhuma pra provar, pois as do chão já estavam atacadas por esquilos e pássaros e as do pé muito altas, mas pareciam deliciosas.





Zombie Walk!
Pra quem gosta de zumbis, já devem ter ouvido falar dos eventos em que as pessoas se fantasiam de zumbis e saem em passeata (com interpretação e tudo) pela cidade. Esses eventos têm atraído muitas pessoas e há premiações para melhor perfomance, melhor fantasia, família, criança, etc. A Zombie Walk daqui não é muuuuuito grande e ainda choveu no fim de semana, então não tinha muitas pessoas (ou zumbis), mas achei bem engraçado a criatividade e a dedicação das pessoas pra se tornarem mortos vivos.






Sal Grosso? Vai ter churrasco?

Nãoooooo, vai ter é neve. Mês passado topamos com essa pilha de sal na porta do mercado, e pra gente é bem estranho ainda. Eles usam o sal pra ajudar com a neve durante o inverno, então quem mora em casa e tem entrada para limpar, precisa ter. 




Na verdade a neve já chegou e esse será nosso próximo post. Não vai perder hein!