segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

#19 – DIRIGINDO NO CANADÁ!

Hello, Bonjour!

Hoje vou contar a minha saga pra fazer a carteira de motorista canadense. Vou contar a minha experiência, tentando resumir e sem tantos detalhes técnicos porque pode ser que as regras mudem: se você for fazer e quiser ter certeza, consulte o site oficial (não me responsabilizo por equívocos baseados nesse post, rsrsrs).

Como ficaremos por aqui pelo menos 2 anos, mesmo não tendo carro (ainda), tive que correr atrás disso porque só pudemos dirigir por 90 dias após nossa chegada (então quem vem como turista, só pra passar alguns dias, não tem essa preocupação). Decidimos que por enquanto somente um de nós faria o documento (porque é caro e trabalhoso). Como o Junior tem cartão de ônibus de estudante e moramos relativamente perto da Universidade, decidimos que eu faria primeiro, porque talvez fosse trabalhar mais longe ou precisasse da habilitação pra trabalhar mesmo. Além disso, tive mais tempo (e disciplina) pra estudar e me preparar para as provas.

Pra começar, é necessário fazer uma prova teórica (a chamada G1), que é feita no centro de direção (tipo um Detran), sem agendar nem nada. Você chega, entrega os documentos e preenche os formulários, paga a taxa e vai pra uma sala fazer a prova num computador. No caso de motoristas com experiência, basta entregar a “tradução” da CNH (que é feita na Embaixada) pra que eles incluam essa informação.

Pra aprender as regras canadenses há um livrinho com algumas informações e testes simulados, além de testes online, e foi por eles que me preparei pra prova. Achei bem chato, muito detalhe bobo, mas depois de fazer vários testes e “decorar” as respostas, fui pra prova. Não tive muita sorte, algumas questões que caíram eu não tinha visto nenhuma vez nos simulados nem nas informações do livro, mas consegui passar de primeira (Ufa!). Vi algumas pessoas reprovando, e repetindo a prova, então, se for fazer se prepare de verdade. Parece bobinho, mas pode ser uma pegadinha!

Já me entregaram um documento provisório na hora (o oficial veio pelo correio umas 2 semanas depois) e se quisesse, já poderia marcar a prova prática. Com essa G1, eu podia dirigir com um instrutor ou com outra pessoa com experiência: bem coisa de filme, em que o adolescente faz a prova teórica e sai com o pai pra aprender a dirigir no carro da família mesmo. Outra coisa curiosa (e de filme) é que você pode fazer a prova prática em qualquer carro: próprio, alugado, emprestado. Não é obrigatório fazer aulas em autoescola, nem fazer a prova no carro de um instrutor.

Como levei as informações da minha CNH brasileira, pude fazer a prova prática pra G – Full, sem ter que fazer a G2 (que é uma permissão pra dirigir por um tempo, com algumas restrições e é preciso fazer uma segunda prova prática depois pra ter a permissão definitiva). A pressão nesse caso é que se você reprovar na G, só pode repetir a prova prática para G2 e perde todo seu histórico de experiência (que diminui bastante o valor do seguro do carro). Pra não perder essa chance, fiz algumas aulas com um instrutor canadense pra pegar os macetes pra prova. E é bem isso mesmo, pegar o jeito pra prova, porque afinal já dirigia no Brasil a anos, mas tem umas coisas que eles avaliam que é bem específico: tem que andar exatamente no limite de velocidade da via, não pode entrar na rodovia muito devagar, não pode fazer curva muito rápido, tem que olhar sobre os ombros pra trás  pra virar(não pode ser pelo retrovisor):o famoso “shoulder check”, pra garantir que não tem nenhum carro/pedestre/ciclista no seu ponto cego.

Pra ficar ainda mais emocionante, demorei pra agendar e só tinha vaga pro final de novembro e podia começar a nevar: e claro, previsão da primeira nevasca bem no dia da prova! Meu instrutor pediu pra eu cancelar, porque pior que dirigir na neve pela primeira vez, seria fazer uma prova nela sem nunca ter treinado nessa situação. Fiquei bem chateada, me sentindo culpada por não ter feito antes, preocupada porque o inverno só iria piorar, mas ele me acalmou e combinamos uma aula pra um dia de neve! Fiz a aula na neve, derrapei com o carro (de propósito) pra sentir como era, aprendi o que mudava na direção e remarquei a prova pra dezembro.

Dirigindo feito um robô canadense fui pra prova, e na hora que entrei no carro parece que o tempo parou: o clima estava ótimo (sem neve), as ruas e a rodovia estavam vazias, e os 15-20 min de prova passaram feito 5 min. O examinador ia falando e eu, que já tinha treinado no percurso da prova (que também foi outra dica importante do instrutor), ia fazendo tudo conforme “ensaiado” e ele anotando coisas na prancheta. Quando estacionei de volta no centro de direção e ele falou: _”Congratulations!”, um elefante saiu das minhas costas.  

De novo, já sai de lá com o documento provisório em mãos (só não dirigindo porque me falta o carro...rsrs) e umas 2 semanas depois recebi minha Carteira de Motorista “Expert” Canadense.



O primeiro passo foi dado, com dificuldade mas com sucesso! Planejamos alugar carro de vez em quando e quem sabe, mais tarde comprar um. Se tudo continuar bem, não vai demorar muito!!!

Até a próxima!

domingo, 15 de janeiro de 2017

#18 – ANO NOVO, VIDA NOVA?!

Hello, Bonjour!

Passado Natal e Virada de Ano, esperamos que esse ano de 2017 seja ainda melhor pra todos nós! Mas porque é sempre assim, né? Apenas uma virada, uma data que não passa de uma convenção social e jogamos todas nossas esperanças num dia 01, que nada mais é que mais um dia como os outros...

Voltando para o Natal, como já falei no último post, passamos a ceia de Natal com amigos brasileiros e foi bem divertido. O pessoal usou trajes típicos/engraçados (aquele suéter brega de Natal que a gente vê em filme, sabe?), teve amigo secreto, jogo de imagem e ação, e claro, muita bebida e comida. Pra ajudar a superar a ausência da família, cada um fez um prato típico da sua ceia, fazendo com que cada um se sentisse um pouquinho em casa. Apesar de ter amanhecido nevando, durante o dia esquentou (chegou a ficar em temperaturas positivas) então a noite só tinha a neve acumulada mesmo, nada de neve caindo, mas pro primeiro Natal aqui já ficamos bem satisfeitos. À meia-noite do Brasil (21h aqui) todos ligaram pra família no Brasil, menos eu, porque meu “povo” gosta de se esconder no meio do mato e nem sinal de celular tinha direito. Aproveitei que tava de bobeira e filmei o pessoal com os celulares... Santa tecnologia que faz tudo ficar mais fácil !!!
No dia 25 dormimos muito, comemos as “sobras” das ceia e foi isso: dia de ressaca da festança.


Dia 26 é o Boxing Day, que oficialmente é a data de promoções do comércio canadense, mas nos últimos anos tem perdido força porque o Canadá também aderiu à BlackFriday, que acontece em Novembro, então não vimos muuuuuuita loucura nas lojas, não. Realmente preços de eletrônicos e vários itens estavam em promoção, mas as lojas estavam com movimento normal. Ah, detalhe, esse dia é “feriado”, então todos estão de folga pra aproveitar as promoções e ir às compras. Não compramos nada (já gastamos e compramos mais que o suficiente pra montar a casa nova nos últimos meses), mas passeamos, fomos ao cinema e conhecemos a primeira “Freezing Rain” (“Chuva Congelante”) de verdade. Vou contar sobre o clima e como ta sendo o inverno num outro post, tem muita curiosidade que merece de mais espaço.
Outro detalhe interessante é que no Canadá quando um feriado cai no Domingo, eles dão o dia de folga pros funcionários no próximo dia útil, ou seja, foi folga na terça-feira (dia 27 pra compensar o dia 25) e na segunda-feira depois do ano novo (dia 02 pra compensar o dia 01) também!

Já a véspera de Ano Novo não é tão aguardada por aqui, eles até comemoram mas sem comparação à qualquer festa brasileira. Talvez porque por ser um país multi-cultural, cada cultura comemore o Ano Novo de um jeito e até em datas iferentes, então, a festa fica “dissipada”. Nessa virada pela primeira vez aconteceu uma festa especial em Ottawa, porque em 2017 o Canadá completa 150 anos e o ano todo será repleto de eventos especiais, começando realmente desde o início. O tempo não ajudou muito, nevou o dia todo e a temperatura média foi de -10°C, mas mesmo assim fomos ao Parlamento assistir e curtir as comemorações. Pegamos o ônibus (que era de graça especialmente pro evento) e chegando na região o trânsito já estava fechado, policiamento reforçado, blocos de concreto para evitar quebra dos bloqueios (infelizmente o terrorismo é uma ameaça mundial) e enormes tratores para limpeza da neve que teimou cair até quase a meia-noite.



Passamos pela revista rigorosa e entramos na área do Parlamento, e apesar do frio, já tinha muita gente e até famílias com bebês. Após várias cerimônias oficiais às 20h17 pontualmente houve a primeira queima de fogos que durou 20 min, mas para o padrão Brasil, não emocionou. A bateria é muita espaçada, os fogos estouravam muito baixo e quem estava bem na frente do prédio do Parlamento só via uns resquícios além da música não ter nada a ver com nada (na filmagem pra TV ficava maravilhoso e quem estava no lado de Gatineau teve, como de costume, vista privilegiada). Acredito que por causa do frio, a animação tornou-se obrigatória e a maioria começou a dançar pra se manter aquecido...rs.







Depois dos fogos começaram os shows e nós estávamos aguardando a apresentação da cantora Carly Rae Jepsen, famosa pela música “Call me maybe”. Pelo cronograma seria logo após a queima de fogos, mas acredito que por ser o show mais popular, deixaram para o fim, e foi impossível ficar lá das 21h ás 24h, em pé, com neve na cabeça, à -10°C. Desistimos! Ficar lá encarando a neve, e vendo cantores que para nós são desconhecidos só pra ver uma música famosa lá pelas 23h30 não nos convenceu... afinal, mais do que a música e a cantora, curtimos mesmo é o clipe paródia da paródia feito pelos soldados americanos em missão no Afeganistão... (pra quem não conhece, ri um pouco aí)...rs


Fomos pra casa a pé (ainda bem que moramos perto) porque o trânsito estava uma loucura por causa da neve e os ônibus não passavam (talvez pelo trânsito e o clima, ou talvez a frota estivesse esperando a festa terminar pra recolher todo o pessoal de uma vez, sei lá). Chegamos em casa pra virada com a “família”: eu, Junior e nossos bebês peludos! E assim foram as nossas festas!

Não vou dizer que não sentimos a falta da família e do Brasil, mas percebemos que essas festas são só desculpas pra reunir todo mundo e comer muito. É muito bom, mas melhor é poder aproveitar sempre atividades como estas, verdadeiramente, seja quando for, porque uma data específica não faz grande diferença. Que nossas esperanças possam ser renovadas sempre que quisermos ou sonharmos algo novo, todo dia é um novo dia e uma nova chance!

Aproveito esse post pra desejar BOA SORTE pros primos queridos Layara e Fernando que partem hoje em busca de sonhos em Buenos Aires! Vida nova, lugar novo, língua nova, num ano novo que pra eles vai começar no meio do mês!

Nosso 2016 foi maluco, cheio de reviravoltas, e 1 ano passou rápido como um mês, mas valendo por uns 3 anos em acontecimentos: aprendizados, desafios, alegrias e tristezas. Nossos votos pra 2017 é que mesmo longe, possamos estar cada dia mais ligados às nossas famílias e amigos, e que todos os sacrifícios valham a pena! Tem valido muuuuuito!!!