Hello, Bonjour!
Hoje vou contar a minha saga pra fazer a carteira de
motorista canadense. Vou contar a minha experiência, tentando resumir e sem
tantos detalhes técnicos porque pode ser que as regras mudem: se você for fazer
e quiser ter certeza, consulte o site oficial (não me responsabilizo por
equívocos baseados nesse post, rsrsrs).
Como ficaremos por aqui pelo menos 2 anos, mesmo não tendo
carro (ainda), tive que correr atrás disso porque só pudemos dirigir por 90 dias após
nossa chegada (então quem vem como turista, só pra passar alguns dias, não tem essa
preocupação). Decidimos que por enquanto somente um de nós faria o documento
(porque é caro e trabalhoso). Como o Junior tem cartão de ônibus de estudante e
moramos relativamente perto da Universidade, decidimos que eu faria primeiro,
porque talvez fosse trabalhar mais longe ou precisasse da habilitação pra
trabalhar mesmo. Além disso, tive mais tempo (e disciplina) pra estudar e me
preparar para as provas.
Pra começar, é necessário fazer uma prova teórica (a chamada
G1), que é feita no centro de direção (tipo um Detran), sem agendar nem nada.
Você chega, entrega os documentos e preenche os formulários, paga a taxa e vai
pra uma sala fazer a prova num computador. No caso de motoristas com
experiência, basta entregar a “tradução” da CNH (que é feita na Embaixada) pra
que eles incluam essa informação.
Pra aprender as regras canadenses há um livrinho com algumas
informações e testes simulados, além de testes online, e foi por eles que me
preparei pra prova. Achei bem chato, muito detalhe bobo, mas depois de fazer
vários testes e “decorar” as respostas, fui pra prova. Não tive muita sorte,
algumas questões que caíram eu não tinha visto nenhuma vez nos simulados nem
nas informações do livro, mas consegui passar de primeira (Ufa!). Vi algumas
pessoas reprovando, e repetindo a prova, então, se for fazer se prepare de
verdade. Parece bobinho, mas pode ser uma pegadinha!
Já me entregaram um documento provisório na hora (o oficial
veio pelo correio umas 2 semanas depois) e se quisesse, já poderia marcar a
prova prática. Com essa G1, eu podia dirigir com um instrutor ou com outra
pessoa com experiência: bem coisa de filme, em que o adolescente faz a prova
teórica e sai com o pai pra aprender a dirigir no carro da família mesmo. Outra
coisa curiosa (e de filme) é que você pode fazer a prova prática em qualquer
carro: próprio, alugado, emprestado. Não é obrigatório fazer aulas em
autoescola, nem fazer a prova no carro de um instrutor.
Como levei as informações da minha CNH brasileira, pude
fazer a prova prática pra G – Full, sem ter que fazer a G2 (que é uma permissão
pra dirigir por um tempo, com algumas restrições e é preciso fazer uma segunda
prova prática depois pra ter a permissão definitiva). A pressão nesse caso é
que se você reprovar na G, só pode repetir a prova prática para G2 e perde todo
seu histórico de experiência (que diminui bastante o valor do seguro do carro).
Pra não perder essa chance, fiz algumas aulas com um instrutor canadense pra
pegar os macetes pra prova. E é bem isso mesmo, pegar o jeito pra prova, porque
afinal já dirigia no Brasil a anos, mas tem umas coisas que eles avaliam que é
bem específico: tem que andar exatamente no limite de velocidade da via, não pode
entrar na rodovia muito devagar, não pode fazer curva muito rápido, tem que
olhar sobre os ombros pra trás pra virar(não pode ser pelo retrovisor):o
famoso “shoulder check”, pra garantir que não tem nenhum carro/pedestre/ciclista no seu ponto
cego.
Pra ficar ainda mais emocionante, demorei pra agendar e só
tinha vaga pro final de novembro e podia começar a nevar: e claro, previsão da
primeira nevasca bem no dia da prova! Meu instrutor pediu pra eu cancelar,
porque pior que dirigir na neve pela primeira vez, seria fazer uma prova nela
sem nunca ter treinado nessa situação. Fiquei bem chateada, me sentindo culpada
por não ter feito antes, preocupada porque o inverno só iria piorar, mas ele me
acalmou e combinamos uma aula pra um dia de neve! Fiz a aula na neve, derrapei
com o carro (de propósito) pra sentir como era, aprendi o que mudava na direção
e remarquei a prova pra dezembro.
Dirigindo feito um robô canadense fui pra prova, e na hora
que entrei no carro parece que o tempo parou: o clima estava ótimo (sem neve), as
ruas e a rodovia estavam vazias, e os 15-20 min de prova passaram feito 5 min.
O examinador ia falando e eu, que já tinha treinado no percurso da prova (que
também foi outra dica importante do instrutor), ia fazendo tudo conforme
“ensaiado” e ele anotando coisas na prancheta. Quando estacionei de volta no
centro de direção e ele falou: _”Congratulations!”, um elefante saiu das minhas
costas.
De novo, já sai de lá com o documento provisório em mãos
(só não dirigindo porque me falta o carro...rsrs) e umas 2 semanas depois
recebi minha Carteira de Motorista “Expert” Canadense.
O primeiro passo foi dado, com dificuldade mas com sucesso! Planejamos
alugar carro de vez em quando e quem sabe, mais tarde comprar um. Se tudo
continuar bem, não vai demorar muito!!!
Até a próxima!
Até a próxima!


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